terça-feira, 9 de setembro de 2008

Drummond

Drummond já se perguntava “pra que tanta perna, Senhor?” Mas aí o problema dele já era outro. Referia-se as pernas das moçoilas nos bondes. Nossa! Bondes. Queria eu ter andado em um.Tem em São Francisco... Tão Longe. Só de pensar minha perna grita. Ai...quietinha aí! Ninguém vai a lugar algum. “Põe uma meia menina”. Ouço e sem protestos obedeço, o pé já roxo, só faltava um empurrãozinho pra dar coragem de levantar em busca da meia quente.
Às vezes é o que falta pra gente. Pequeno empurrãozinho ou chaqualhão. Da vida, do vizinho, de quem quer que seja. Me empurrão. Tropeço, caio, rolo, levanto, limpo as mãos no jeans batido, enxugo o suor da testa e sorrio. Num sorriso doce de quem pra colher a manga precisou escalar o pé. Pé. Ah... as pernas! Para Drummond “pra que tanta perna”, pra mim, pra que tanta dor.

2 comentários:

Gabriel Marchioli disse...

"Me empurrão. Tropeço, caio, rolo, levanto, limpo as mãos no jeans batido, enxugo o suor da testa e sorrio"

E o conforto da calça ser a jeans e não a branca, se não suja. O neurótico. Drummond realmente tinha razão...quantos 'm' mesmo??
Saudade da voz gostosa.

Polyana disse...

"Poesia
Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira." (CDA)

Dicultoso a mim, expressar o real e experimentado sentimento...
Porém ás vezes essa expressão por vezes custa a sair... Não mais momentos, meses,semanas, dias ou minutos depois a reconheço em mim...
´Difícil de se definir os sentimentos... Mais difícil ainda o porquê de senti-los...
e assim "me concluo"... " Fervo por dentro
de extase por querer realizar;
POrém me derreto por não expressar-me." (PCP)
Acredito que não somos quem somos. E sim aquilo que queremos ser. Totalmente impossível compreender o ser humano em toda sua complexidade.
Mas não devemos parar por aí afinal de contas: "O MUNDO CONSPIRA."