terça-feira, 9 de setembro de 2008

Tarde

“Dandar, dandar! Dandar pra ganhar tentem!” É o jeito né? Já que não posso passar o dia todo deitada... E já que faz bem para o tratamento esticar um pouco as canetas... Só uma voltinha pelo quintal. A mãe varre. O cachorro ao sol. Ei! O “senhor” aí! Deitadão com a fuça à paisana... Vem caminhar comigo... Vem meninão! O rabo e o corpo abanam enquanto vem. “Dandar...” musica besta! Não sai da cabeça. “Tentem”. Quem dera. Vou é ganhar a dorzinha. Por isso o banco. Leve. Trago comigo. Precaução. Adoro essa palavra. Os pés: claros com as pontas levemente rosadas. Nunca tinha reparado neles assim.
Ai... Os quartos... Doem... Rio. Os quartos. Lembro o P. vendo um “treco de pular” na TV. “Se caio desse negócio quebro os quartos, não cola mais...”. E ele ri. Sorriso largo de olhinhos quase fechados.
Vamos lá! Comigo meu companheiro peludo! Marrom. Cantarolo para o focinho molhado de olhos amêndoas que me observam. Eu e minha vocação pra musiquinhas bobas. Nada como uma alegria quase que infantil para adoçar o amargo da vida. Como transformar jatobá em melancia.
Leve como uma pluma de pernas de pau, faço o contorno da árvore (a M. dizia pé de planta quando os molhava) e volto pelo mesmo caminho que vim. Mas dessa vez com a idéia fixa de um banho “antes que escureça”.

Um comentário:

Gabriel Marchioli disse...

É como se a nova rotina fosse imposta e o silencio não fizesse a maior diferença. Como o ser humano é vulnerável. Mas as canetas não. A cada privação. O novo. Outra renúnica. "Se eu estivesse ai, caminharia com vc pra lá e pra cá...deixa o peludo pra lá. Ele vai descansar mais um pouco ao sol" Ou não?!